Um fim de semana com as estrelas

10/03/2015

Por Sheila Silva

Cerca de um mês atrás,
após um jogo do Franca Basquete, soube da possibilidade de Franca sediar pela
terceira vez o final de semana mais esperado do ano: o final de semana do Jogo
das Estrelas. A emoção de poder participar do evento tomou conta de mim e,
quando confirmado que seríamos a sede novamente, foi emocionante. É importante
difundir o basquete, esporte que nós francanos aprendemos a amar desde o berço,
por todo o país e entendo a frustração de outras torcidas com o anúncio do
evento aqui na Capital do Basquete Brasileiro. 


Dentro de mim tinha a certeza de
que havíamos sido escolhidos por algum motivo especial, motivo esse que poderia
mudar os rumos do basquete nacional, não apenas para Franca, mas para os demais
times também, além de nos ajudar a melhorar a imagem do mais tradicional time
de basquete do Brasil. O motivo veio logo em seguida, apresentar o NBB para os
novos parceiros da NBA. E onde mais a Liga poderia conseguir casa cheia e
animação por vários dias seguidos?


Franca não é a Capital
do Basquete à toa, são mais de 60 anos de basquete nas quadras de cimentos,
tabelas de ruas, ginásio e é claro, no Pedrocão, o templo que abriga nosso time
e suas principais conquistas.


Iniciei os preparativos
para o Jogo das Estrelas entrando em contato com meus amigos que moram em
Limeira, São Paulo e Rio de Janeiro, me colocando à disposição para ajudá-los a
garantir ingresso e oferecendo a minha casa para quem quisesse se hospedar
aqui. Os dias foram passando e a data do evento se aproximando cada vez mais, a
euforia aumentava a cada dia e os planos para o fim de semana também. Parecia
que iam faltar horas para tantos eventos.


Infelizmente, eu não
podia abrir mão dos meus compromissos profissionais para participar de todos os
eventos programados pela Liga durante a semana que antecedeu o Jogo das
Estrelas, mas dos eventos de sexta e sábado eu não poderia faltar.


Programei uma doação de
sangue na sexta pela manhã e, para minha surpresa, o Hemocentro de Franca
receberia mais tarde a visita da rainha Hortência. Infelizmente, não pude
esperá-la, mas fiz minha parte na campanha de doação de sangue da LNB, mesmo
sem saber que tal campanha existia! Passei o dia ajeitando a casa e preparando
a churrasqueira para receber meus amigos após os torneios no Pedrocão.


Separei a camiseta da
extinta Torcida Dus Infernu, que promoveria um encontro de membros durante o
fim de semana das estrelas, e segui para pegar os amigos por volta das 17h. Ok,
vocês podem dizer que é exagero chegar tão cedo assim, mas todos nós estávamos
ansiosos para participarmos do evento e para garantir um bom lugar para
assistir a tudo o que viria a acontecer nestes dois dias.


Entrando no ginásio a
emoção só aumentou: como é bonito ver a nossa “casa” vestida para a festa. Ver
a organização do pessoal da Liga e da emissora responsável pela transmissão do
evento e a cara de felicidade de todos que fomos encontrando pelo caminho.


Enfim o evento começou,
o animador Max relembrou a coreografia iniciada aqui em Franca, trouxe o
mascote Jay Jay (muito lindo e fofo) para a quadra, os atletas foram se
posicionando e o coração do público parecia bater no ritmo da música e quando
esta parava, o silêncio só era cortado pelo pulsar de nossos corações.


O Desafio das Estrelas
foi o primeiro evento da noite. Como foi bom ver Paulão, Edu Mineiro, Chuí,
Robertão e Fausto fazendo seus arremessos na quadra do Pedrocão novamente. Como
foi aterrorizante quando o querido Robertão se sentiu mal durante a
apresentação de seu time. Como foi maravilhoso ver o Chuí matar uma bola de
chuá do meio da quadra como nos velhos tempos de jogos contra o Coc… Mas
ainda mais maravilhoso foi ver o time formado por ídolos francanos vencer a
disputa. Helinho, Chuí e Adrianinha nos encheram de orgulho e nos fizeram
vibrar nas arquibancadas. Chuí ídolo de longo tempo, Adrianinha a força da
mulher francana no basquetebol e Helinho, o menino que muitos viram crescer se
tornar um grande atleta e referência para os mais novos. Franca ganhava seu
primeiro título da noite! Parabéns ao trio Chuí!


Em seguida a quadra foi
preparada para o Torneio de Habilidades. Como não lembrar do bicampeonato do
armador Fernando Penna nas duas edições do Torneio realizadas aqui? A pressão
sobre o jovem Léo podia ser sentida da arquibancada, mas o jovem rapaz parecia
não estar sentindo, se demonstrava concentrado e focado na disputa. Antes dos
homens, tivemos a brilhante apresentação das mulheres e como são habilidosas!
Ainda acho que a liga deveria ter promovido a disputa homem x mulher no final,
mesmo que tivesse sido só pela diversão, mas acredito que a Wheelers teria dado
um show em qualquer um que se atrevesse a disputar com ela! Começa a disputa do
masculino e meu telefone toca, minha irmã com meus sobrinhos e cunhado
esperando os ingressos do lado de fora do ginásio. Subi correndo a escadaria do
Pedrocão e fiquei algum tempo procurando por ela, no portão errado! Perdendo
assim a apresentação do nosso representante na disputa. Fiquei muito brava e
triste por isso. Só consegui ver a disputa final entre os armadores Stanic e o
mais habilidoso Thiguinho, vencida por um milésimo de segundo! Ainda acho que a
Wheelers venceria ele, mas…


Continuando o evento
foi a vez dos arremessos da linha de três pontos, novamente as mulheres se
apresentaram primeiro e encantaram a todos com a bola cor de rosa que valia 2
pontos! Em seguida os homens, todos querendo bater o recorde do então campeão
Marcelo Machado, mas os braços pesavam e um a um os atletas iam ficando pelo
caminho. O nosso representante, o frio e certeiro Marcos Mata, converteu apenas
6 pontos, deixando a torcida frustada e torcendo ainda mais contra o rival
rubro negro. Mas não teve jeito, Marcelinho com a mão super calibrada igualou
seu recorde na prova e na final usou toda a sua experiência e venceu a disputa.
Temos que reconhecer, Marcelinho é o especialista da linha de três pontos. O
campeão a ser batido. Quem será que se arrisca a enfrentá-lo no ano que vem?


Para fechar o evento é
anunciado a presença do multi campeão da NBA, Horace Grant, que foi ovacionado
pelos fãs, fazendo com que as sólidas estruturas do Pedrocão ficassem abaladas!
E sua presença foi fundamental para o evento final da noite: o torneio de enterradas.
Para mim o ponto alto da noite, o evento mais plástico e mais vibrante de todo
o torneio. Nosso representante, o carismático Coimbra, com seus cabelos
estilosos, seu sorriso cativante, demonstrava que não tinha vindo para brincar.
Quando foi apresentado, já foi logo tirando o uniforme e prestando uma justa
homenagem ao querido Hélio “bigode” Rubens, que fazia parte do júri ao lado de
Hortência, Alex Garcia, Horace Grant e Chuí. A disputa era séria. Ele e o ala
Maxwell do Brasilia foram para a final, realizando, cada um, cinco enterradas,
diferentes uma das outras. Nesse ponto é importante frisar a participação do
ala Léo Meindl na apresentação das enterradas. O arremesso feito por ele do
alto da arquibancada, certeiro para as mãos de Coimbra garantiu que todos
comemorassem e se lembrassem da injustiça cometida anos atrás com nosso também
pivô Lucas Mariano, que recebeu um passe perfeito do armador Fernando Penna do
alto da arquibancada e recebeu uma baixa pontuação por tal feito. Mas com o
Coimbra a história não se repetiu, nosso afro-samurai foi sagrado campeão do
torneio, mesmo com todas as críticas recebidas via internet.

Minha opinião é
clara e justa: Maxwell fez excelentes apresentações, mas faltou força.
Enterrada tem que balançar a tabela, puxar o aro, fazer com que a torcida sinta
o vidro trincar… Se Maxwell fosse um pouco mais pesado, teria sido difícil
batê-lo, mas sendo leve, não atingiu a expectativa de todos.


Fim de papo nos eventos
da sexta. Fim de papo no ginásio, porque na minha casa a festa estava apenas
começando. Churrasco, música, cerveja, refrigerante, pão de queijo e muitas
discussões sobre o primeiro dia do Jogo das Estrelas. A madrugada já ia alta,
quando o último amigo foi para a casa.


O sábado amanheceu
trazendo com ele a animação e uma pontinha de tristeza de pensar que logo tudo
acabaria. No sábado fomos menos exagerados em relação ao horário. Saímos de
casa após o meio dia, devidamente almoçados e preparados para as últimas 5
horas do Jogo das Estrelas. As primeiras a entrar em quadra foram as mulheres,
junto com a mascote JayLo, que arrasou na interação com o público,
principalmente com as crianças. Pausa para citar aqui o arrepio e a emoção
durante o um minuto de silêncio em respeito ao falecimento da mãe de uma jogadora.
Não existe explicação para o silêncio cortante que é feito em momentos como
esse. O arrepio que percorre a coluna e o silêncio absoluto faz o mais forte se
emocionar.


A LBF Mundo tentou, mas
as brasileiras dominaram a partida e venceram. No final receberam a justa
homenagem dos atletas masculinos do NBB Brasil e Mundo pelo dia Internacional
das Mulheres que seria comemorado no domingo.


E então, ao vivo para
todo o Brasil, assistimos ao começo do fim do jogo das Estrelas. A disputa
entre Brasileiros e estrangeiros foi morna. Enquanto brasileiros queriam vencer
a qualquer custo, estrangeiros tentavam fazer jogadas plásticas que levantassem
a torcida. Afinal o jogo é um espetáculo, bandeja não empolga ninguém. Sábado
era a oportunidade dos armadores darem assistências ousadas, os pivôs
realizarem suas fortes enterradas e os alas surpreenderem o público
demonstrando habilidades que não costumam apresentar durante a temporada. O NBB
Mundo tentou. O pivô Hermann foi um show a parte, mas no final o MVP foi dado
ao armador do NBB Brasil, Ricardo Fischer, por ter sido o mais completo em
quadra, na pontuação e nas assistências, uma pena que o time do Brasil ficou
apenas no feijão com arroz, o potencial era para muito mais!


Infelizmente, ao soar
da campainha de final de jogo, acabava também toda a magia do final de semana
das estrelas em Franca.


Nós amantes do
basquete, teremos muitos jogos para ir e discutir, comentar e cornetar nesta
temporada, mas a emoção do Jogo das Estrelas, só sentiremos daqui um ano… A LNB
poderia deixar o Jogo das Estrelas com sede permanente aqui em Franca, com
calendário pré estabelecido para que o pessoal de outras cidades pudessem
comparecer, se programando com antecedência. Não é querer monopolizar o evento,
mas que nos três anos que sediamos o evento, demos show, é inegável!


Tomara que a próxima
sede nos supere, para justificar a alternância de cidades, mas queria deixar um
recado pra LNB: Franca e o jogo das Estrelas combinam, é uma mistura que é
garantia de sucesso. E nós, os apaixonados de longa data pelo basquete,
estaremos sempre de braços abertos para receber o evento. Afinal, basquete aqui
é mais do que um jogo. É um vício. Uma paixão. Uma herança passada a cada
geração. Um orgulho para a população, mesmo vivendo tempos difíceis.


Deixo minha despedida a
todos que participaram deste final de semana sensacional, mas não digo adeus,
pois sei que para nós francanos, vai ser apenas um “até breve”!

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